AEKS colabora com Formação da FNK-P

 

Realizou-se este sábado dia 5 de Abril, na Cidade da Guarda mais uma Formação inserida no 1º Ciclo de Acções de Formação para Treinadores de Karate e Praticantes cintos negros. Esta é uma iniciativa levada a cabo pela Federação Nacional de Karate – Portugal (Sector Técnico – Departamento de Formação – Centro de Formação de treinadores).

 

“A formação é um processo contínuo e sistemático de aprendizagem no sentido da inovação e aperfeiçoamento de atitudes, saberes e saberes-fazer e da reflexão sobre valores que caracterizam o exercício das funções inerentes a cada profissão. Mas a formação também é um conjunto de possibilidades de adaptação activa, algo muito diferente de «acomodação», ou seja, a oferta de um máximo de esquemas de comportamento possíveis face a novas situações e a condução a prováveis associações dos mesmos. O facto da maior parte (se não a totalidade) dos treinadores de Karate passarem como atletas por uma progressão baseada num sistema de graduações, que ao alcançarem o seu cinto negro lhes abre as portas do ensino, fazendo só mais tarde a sua formação «teórica», coloca-os numa posição que os leva a cair numa prática não reflexiva, imitando as rotinas e os procedimentos dos seus antigos professores/treinadores, o que só é possível diminuir através de uma formação pertinente e continuada. A visão tradicionalista dos treinadores de Karate permite que exista um círculo vicioso do fracasso auto-reprodutor desportivo, até porque, os programas de formação têm geralmente um impacto reduzido, quando comparados com o impacto da aprendizagem por observação e mesmo quando o programa da formação transmite com sucesso uma perspectiva de ensino e aprendizagem, a força socializadora do ministério do treino trabalha no sentido de apagar esta tendência3, pelo que só uma motivação e actualização constantes permitem anular a referida tendência.

 

O presente ciclo de acções de formação pretende colmatar lacunas anteriores e apetrechar Técnicos de Arbitragem e Treinadores de conhecimentos necessários para a sua prática diária, atendendo não só aos escalões de formação, mas também tendo em conta os competidores. O mesmo parte das necessárias premissas de pertinência, de descentralização, de acessibilidade e de viabilização (rentabilização).

 

O Corpo de Formadores da FNK-P apresenta competências académicas, científicas e técnicas para assegurar a realização das acções programadas, sendo as mesmas ministradas por estes formadores, existindo no mesmo um Doutorado em Ciências do Desporto, um Mestre em Gestão da Formação Desportiva, um Mestre em Psicologia do Desporto, um Licenciado em Economia, uma Licenciada em Direito, um Licenciado em Enfermagem e vários Licenciados em Educação Física e Desporto, todos eles possuindo cursos de treinadores de Karate e sendo titulares de graduações que vão de 2º Dan a 7º Dan.”

 

Dra. Cristina Caeiro Lopes – A legítima defesa e o praticante de Karate

“O praticante de Karate possui um background técnico (motor), físico (anatomofisiológico) e mental (psicológico) que lhe permite enfrentar certas e determinadas situações com maior segurança e facilidade que um cidadão comum. Numa situação de agressão, em que condições existe legítima defesa da parte do praticante mesmo existindo essa vantagem proporcional? E em que condições existe o uso excessivo de legítima defesa por parte do praticante de Karate? E quando os meios empregues por ambos os contendores, sendo um praticante de Karate, são proporcionais, em que situações existe legítima defesa? É pertinente que o treinador de Karate conheça o enquadramento legal do conceito de legítima defesa a fim de transmitir aos seus alunos noções que lhes permitam conhecer as suas responsabilidades e delas se salvaguardarem.”

 

Dr. Armando Inocentes – Ética, desporto e Karate

“O desporto sempre esteve intimamente ligado a formas educativas, culturais e formativas, o que sempre nos levou a considerá-lo uma escola de virtudes. O próprio Karate sempre se justificou pelos valores, pela moral, pela ética, pela disciplina e pela formação do carácter. Os actuais programas dos cursos de treinadores não contemplam um módulo que problematize esta temática, fundamental para que estes incutam nos seus alunos e competidores o fair-play e o espírito desportivo – lacuna que se tenta resolver com esta realização. Numa época em que alastra no desporto a violência, o doping, a corrupção, a fraude desportiva, a morte em competição (morte súbita e morte por acidente), a morbilidade (lesões permanentes), a exploração infantil e o treino intensivo precoce, assim como começam a ingerir-se no mesmo a política e a religião, começando até a ser visíveis casos de racismo e de terrorismo, é necessário dar formação aos treinadores neste campo para se poderem evitar e/ou modificar comportamentos perniciosos para o Karate.”

 

Esta foi uma formação organizada pela FNK-P em conjunto com a AEKS e colaboração da Junta de Freguesia de São Miguel da Guarda.

 

    

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